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Jornal 01 – Demência – é preciso conhecer para saber conviver

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As Demências / a Doença de Alzheimer

Actualmente, as demências estão a emergir na nossa sociedade com maior frequência e claramente assumiram-se já como um problema de saúde pública (epidemiologia demências), resultando numa maior incapacidade para a pessoa idosa e, consequentemente, trazendo alterações à vida dos seus familiares / cuidadores.

A Alzheimer´s Disease International destaca como principais tipos de demência a Demência de Alzheimer, a Demência Vascular, a Demência de Corpos de Lewis e a Demência Fronto-temporal.

Neste contexto convidámos o Dr. Jorge Paixão a esclarecer algumas questões sobre este tema que cada vez mais assume um papel dominante nas vidas e quotidiano de tantas famílias. Porque o tema sobre demências é vasto e carece de continuidade em termos de discussão e informação optamos por iniciar a nossa atenção sobre a Doença de Alzheimer.

1ª Pergunta
Humanize - É, então, importante, antes de mais, clarificar o que é a Doença de Alzheimer?
Dr. JP - A demência de Alzheimer é uma doença progressiva do cérebro, que conduz à morte dos neurónios provocando uma perda gradual das capacidades mentais de forma irreversível.


 Pergunta
Humanize - o que a provoca?
Dr. JP - No cérebro dos doentes com doença de Alzheimer existe uma produção excessiva de uma pequena molécula proteica chamada beta-Amiloide. Esta molécula é depositada entre os neurónios como uma espécie de resíduo. Esses depósitos são parcialmente responsáveis por originarem enormes perturbações nas funções dos neurotransmissores cerebrais . A troca de informação entre os neurónios diminui de forma progressiva. Nestas circunstâncias, os sinais tronam-se cada vez mais fracos e a comunicação entre as células cada vez mais difícil.
Ocorrem perturbações na transmissão da informação, surgindo por fim um “silêncio” completo, porque os neurónios a longo prazo, não conseguem ultrapassar esta disfunção e acabam por morrer.


3ª Pergunta 
Humanize - quais os principais sintomas (cognitivos e comportamentais)?
Dr. JP - Os principais sintomas revelam-se ao nível de alterações das capacidades cognitivas, comportamento social, comunicação e actividades quotidianas básicas.


4ª Pergunta 
Humanize - Como se pode, então, distinguir a demência do envelhecimento natural, visto que neste processo também há uma degeneração natural das células no cérebro?
Dr. JP – A actividade mental também se pode designar por “cognição”. Inclui todas as capacidades necessárias para o pensamento e desempenho mental – por exemplo: a atenção, a aprendizagem, a compreensão e a memória.
Também inclui a capacidade de orientação no tempo e no espaço, bem como a imaginação e a vontade, acompanhado de uma acentuação das características da personalidade com o envelhecimento.
Os doentes com Alzheimer têm dificuldades crescentes da memória. Deixam de conseguir apreender novas tarefas, ficam bloqueados quando têm de “fazer planos”, tomar decisões, têm falta de percepção do tempo e do espaço e surgem distúrbios da personalidade e da comunicação interpessoal.


5ª Pergunta 
Humanize - Na sua opinião qual a importância de um diagnóstico precoce? Tendo em consideração que todas as demências são processos degenerativos, sem cura, qual o estado de arte a nível de medicação?
Dr. JP - Nem todas as demências são degenerativas. Existem 10% de doenças com deterioração cognitiva progressiva provocadas por outras afeções cerebrais que são tratáveis médica ou cirurgicamente. Cumpre ao médico fazer o diagnóstico clinico por vezes recorrendo a Meios Auxiliares de Diagnóstico.
A demência degenerativa, sendo a doença de Alzheimer a mais frequente, pode estabilizar com medicação adequada, retardando a sua evolução.


6ª Pergunta 
Humanize - E os benefícios da intervenção de outros profissionais de saúde? Que tipo de actividades considera fundamentais? E porquê?
Dr. JP - Este suporte deve ser dado de forma dinâmica, proporcionando ao doente um conhecimento pessoal progressivo com os cuidadores, conjugando harmonicamente as necessidades pessoais com a actividade da equipa de cuidados de saúde.
É sobretudo nas fases mais evoluídas da doença que as equipas multidisciplinares de profissionais são primordiais, não só pelo trabalho a desenvolver como também o apoio e a confiança que podem transmitir aos familiares.
A equipa deve integrar enfermeiros especializados, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala, fisioterapeutas e auxiliares.


7ª Pergunta 
Humanize - As demências são exclusivas da população idosa, ou pode-se sofrer de demência antes dos 65 anos de idade?
Dr. JP - Apesar da doença de Alzheimer não ser uma consequência normal do envelhecimento, não é frequente antes da 6ª década da vida. No entanto, o risco de desenvolver esta doença aumenta com a idade de tal forma que após os 90 anos a doença tem uma proporção de 1 para 3.


8ª Pergunta 
Humanize - De que forma é que as demências podem afectar as pessoas na realização das tarefas do seu dia-a-dia?
Dr. JP - Os primeiros sinais da doença são um esquecimento cada vez mais acentuado e dificuldades em ter a noção do tempo. Torna-se cada vez mais frequente colocar objectos em sítios errados, faltar a compromissos e surgem problemas em lidar com os assuntos diários de forma independente. A pessoa deixa de conseguir efetuar tarefas tão simples como abotoar os atacadores dos sapatos, deixa de reconhecer amigos, familiares e conhecidos e não consegue nomear objectos.
Lavar-se e vestir-se, ir às compras, organizar a casa, vai-se tornando gradualmente impossível para os doentes com Alzheimer ao longo da evolução da doença.


9ª Pergunta 
Humanize - O que é que os cuidadores devem saber para cuidarem melhor do seu familiar com demência?
Dr. JP - O maior desafio para os familiares tem, na minha opinião, a ver com as alterações da personalidade e os distúrbios comportamentais, caracterizados por apatia, reactividade inadequada, com agressividade, delírio persecutório e alucinações.
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